
Nem sei de onde sai tantas lágrimas, nem sei o porquê delas existirem
se a dor que sinto as lágrimas não faz sumir. Quando dizem que chorar faz bem é
só pra lhe comover, mas nem isso as pessoas dizem a mim. Dois bofetões na cara,
e desgostos, muitos desgostos com lágrimas e torpedos.
Minha vontade nada mais é do
que chorar, chorar e chorar. Dormir até que tudo se resolva, até que eu acorde
com tudo novo e lembrar sem sentir saudades de tudo que me aconteceu, esquecer
de morte, da raiva, e principalmente das lágrimas. Meu Deus diga-me que é só
uma fase ruim e que isso que estou sentindo vai acabar logo. Diga-me.
Não sei o que sinto, não sei.
Nem sei se sinto algo. Alegro-me com ele, e me entristeço com o próprio. O que
eu realmente sei? o que? O que é que
sinto? Não consigo me concentrar e escrever, nem mais pensar nem dizer.
Sinto febre, sinto dor de
cabeça, sinto tudo menos o que deveria sentir. Se não sinto o que é importante
sentir de nada me adianta as dores físicas, que consigo identificá-las se não
sei o que minha alma sente.
Sinto-me tão só, tão vazia que
isso ta doendo aqui dentro de mim. To carente, mesmo tendo tanto amor me
cercando. E no fundo estou sozinha mesmo tendo tanta gente ao meu redor. Sou só
eu e eu. Isso é frustrante, apavorante. Que medo. To com medo do escuro, do
silêncio, do amor, da tristeza, de ser abandonada. Eu sinto medo. Medo do
velho, da morte. Medo do novo, da surpresa, e do tempo. Medo da distância e do
vizinho. Medo de mim, que nem sei o que e quem sou. Só medo mesmo. Medo do fim,
e talvez de um novo e único re-começo.
Minhas lágrimas secaram, o rio
secou, a chuva parou. A cachoeira já não derrama aquela belíssima água pura e
cristalina. Tudo secou, e acho que vamos ter um racionamento.
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